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Simplicidade voluntária, reportagem do fantástico de ontem. Pessoas que trocam belos apartamentos por apartamentos pequenos. Pessoas que trocam carros por ônibus. Pessoas que optam por menos quantidade e mais qualidade. “Menos expectativa, menos perfeccionismo, menos sapatos, menos roupas, menos consumismo, menos desperdício, menos desejos”.

Repararam? "Menos sapatos"?. Aí não. Menos sapato não dá. Sapatos de menos complicam a vida meu amigo.
Imagina a complicação que seria só ter três sapatos: um preto, um marrom e um tênis. Disus. Não dá não. Não dá mesmo.

“Eu dou conta do que eu tenho. As plantas, por exemplo, como eu não tenho muitas, eu posso ter uma relação muito mais pessoal, intensa, duradoura com cada uma”. “Os livros, se eu não tenho muitos, a minha relação com eles é constante. Eu os revisito muitas vezes.”

Que exagero, hein pessoal do voluntariado? Porque tudo bem que vocês achem um exagero ter mais que três pares de sapato, agora, restringir a quantidade de plantinhas, já é demais. Você não precisa comprar plantas. As pessoas não vão sentir inveja das suas plantas. Tenha quantas plantas quiser. Faz bem. Colabora contra o aquecimento global.

E a regra básica para que você seja um voluntarioso, é que você abra mão das coisas sem sofrer. Eu teria que jogar meus sapatinhos todos fora, achando tudo uma maravilha. Não sirvo. Mas a garota, nossa senhora, ela jamais conseguiria. Ela tem blusas que ela comprou em 1982 no armário. Se a gente pega alguma coisa emprestada, ela sofre genuinamente. A garota, a louca.

O único exercício de desapego que tenho praticado no momento é o desapego ao BBB. Nunca um exemplar da espécie caiu tanto em qualidade no decorrer do programa. Uma tristeza que parte meu coração. Faninha é uma decepção. Noviguaçu transborda em lágrimas.

Mas eu fico perplexa.

Então era carnaval. E eu estava no Rio me surpreendendo com a beleza do Cristo Redentor e da Lagoa Rodrigo de Freitas. E com o azul do mar e do céu. E com árvores. Com coisas idiotas em geral. Me surpreendendo, me surpreendendo. Porque era o Rio de Janeiro.
E tendo que atender a Flávia às 7:55h da manhã, mandando eu me arrumar pros blocos. E recebendo mensagens de texto da mesma Flávia, que foi aos blocos, me dizendo que a Teresa Cristina estava no palco.
Aí oke. Poucas amigas, muita qualidade de amizade, muito assunto. Samba. Saudade. E fez-se calor o que era frio. E fez-se sol o que era chuva.
Eu precisava administrar o tempo entre a que sai pro samba às 7h da manhã e a que não sai pro samba por nada no mundo.
Bom, eu não sei o que deu na doida. Sei que não deu trabalho. A gente disse que ia pra Lapa. O destino do carnaval era cantar "se você pensa que cachaça é água". E ela disse que ia. Ok. Fingi que não fiquei absurdamente chocada, porque qualquer reação podia botar tudo a perder.

E não choveu. E eu já estava quase desistindo, quando travamos um desafio. E ela também é chegada nas coisas complexas. E ela sambou. E não acreditei que dali saia samba. Assim como não acreditei que fossem cantar a música do camarão. Mas era um dia histórico. Algo como um eclípse daqueles que só acontecem a cada 1000 anos. E eu vivi esse momento. Brilho. Muito brilho.
Eis que no meio da folia, resolvo fazer amizade com os gringos. Na busca por uma casa de amigos do exterior. Always. Viro pra gringa e pergunto pausadamente: Where aaare yooou from? Australia, ela disse. E perguntou pra mim: And where are yooou from?
Há. Momento de brilhantismo. Mais um, se é que era possível ainda mais luminosidade numa noite. Eu tinha um mundo pra escolher. Eu podia ter realizado meu sonho de ser francesa. Mas não. I´m from Brazil. Coisa de bebum.
Depois ensinei ela a sambar. E ela disse ou-bri-ga-rá. Ah, também ensinei ela a comprar 3 cervejas for five real. Mas não alcancei meu objetivo maior, o da casa. De nada gringa, tchau.

Aí resolveram ir embora e não entendi direito o motivo. Sei que ainda fiz amizade com o Zulu. O cachorro da rua. Ele tentou me morder, mas eu reagi. Zulu malígno. É bem o tipinho de ser vivo que eu gosto. Difícil. E fiquei amiga do Seu Fernando. Vendedor de cerveja nas horas vagas que criou um filho farmacêutico e que pretende formar a filha, Fabricília, bombeira. Faturou R$700,00 em bebidas aquela noite. Deve ter tido um custo de R$300,00.

É o que eu SEMPRE digo. Camarão que dorme a onda leva.

Preciso me confessar.
Confesso que sempre quis comer hóstia. Confesso que não sei comprar cds, dvds e não sei nada sobre cinema. Eu tinha uma fita do Só pra Contrariar no meu walkman. Eu cantava a música da chicotada na barata. Eu sempre tive muito medo dos bate-bolas. De bombeiro então, pavor.
Muitos dos livros que todo mundo leu, eu não li. Confesso que tenho tido vontade de deitar no divã, mas confesso que falta coragem.
Confesso que eu gosto de São Paulo.
Confesso que tenho achado o Caetano Veloso bem chato. E confesso que dou ibope pra Wanessa Camargo. Acho ela legal.
Confesso que vez ou outra eu leio horóscopo. Confesso que tenho sérios problemas de ortografia.
Confesso que eu acho legal casar vestida de noiva e que teimo em acreditar em felicidade para sempre.
Confesso que embora eu diga e repita e insista que quero morar na Europa, acho que se eu quisesse tanto assim, já teria ido.
Confesso que acreditei no meu ex-chefe por uns seis meses. Confesso que esse cara me fez dar um passo pra frente. Confesso que não consigo economizar o tanto que eu gostaria. Confesso que eu compro coisas que eu não preciso.
Confesso que sempre choro na análise e sempre vou pra lá dizendo que já posso ter alta. Confesso que minha mãe me irrita demais e confesso que sou muito parecida com ela.
Confesso que achei o filme da Rainha muito nota 6. E confesso que não vejo a hora da Fani exercer sua liderança.
Ah, e confesso que a-do-ro a Ivete Sangalo.

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